quarta-feira, 12 de maio de 2010

Há pessoas que vivem naquilo a que arrisco chamar de superficialidade. Pessoas que não sentem qualquer necessidade de canalizar emoções, de as filtrar, entender, viver, reviver ou reinventar. Pessoas que conseguem viver sem música, livros, poesia, dança, paisagens, conversas intensas, nós na garganta ou suspiros. Essas pessoas comem, dormem, trabalham, têm filhos, sogras e genros, eventualmente apaixonam-se e são até felizes. No entanto, se tentamos ver um pouco mais para além do que está à tona, descobrimos que não há absolutamente nada de interessante. Que os desejos foram moldados, as ambições são lugares comuns e os passatempos são clichês. Todos os dias me cruzo com pessoas assim e me interrogo sobre o porquê dessa falta de sensibilidade. Não precisamos todos de ser artistas ou incompreendidos, o mundo tem sofredores e sôfregos de sobra. Mas nada me entedia mais do que a pessoa que não tem a capacidade de parar e... sentir.

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